A 63ª edição do NósnoCabaré.comConvidados, realizada na quinta-feira (23), no Facebaar, localizado na Rua Joventina Alves, trouxe uma mesa redonda com o secretário Municipal do Meio Ambiente, Eduardo Matos, o superintendente da Secretaria do Patrimônio da União, Waldemar Bastos Cunha,o geólogo da Universidade Federal de Sergipe, Luiz Carlos Fontes, e Reynaldo Nunes, representante do Partido Verde.
Com a chegada do prefeito João Alves Filho ao governo municipal, o trecho que estende do canal até o Iate Clube de Aracaju foi interrompido, devido, segundo a administração municipal, correr risco de desabamento, informação contestada por alguns setores. A prefeitura quer avançar com aterro cerca de quarenta metros, mas vem encontrando resistência por parte da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) que pede um estudo de impacto ambiental.
Ao final, todos concordaram que o problema só será solucionado após amplos estudos.
Eduardo Matos
O secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Matos, iniciou o debate e falou que as cidades avançam sobre os rios e isso é um fenômeno que acontece em várias cidades, não somente em Aracaju, no entanto isso ocasiona erosão em todo o litoral. Como consequência, a área da “13 de Julho” possui rachaduras verticais com sinais de infiltração causando risco à população. Com relação ao problema do avanço das águas na Avenida Beira-Mar. Segundo Matos, “O maior erro da gestão passada foi não ter elaborado um estudo prévio” e determinadas somente obras paliativas que a maré veio e levou.
Matos afirmou ainda que o estudo de impacto ambiental, exigido pela Adema para a liberação da obra, foram contratados, mas não há previsão de início das obras. “As obras só serão feitas quando completados os estudos, apesar de a juíza já haver determinado a interdição do trecho”, esclareceu.
Waldemar Bastos
O superintendente Waldemar Bastos Cunha falou que, Aracaju está toda abaixo do nível do mar, com exceção do bairro Santo Antônio, e que a região da 13 de Julho e adjacências foi toda aterrada e loteada. “Antigamente a região era repleta de salinas e criatórios de peixe. Os pescadores viviam longe das margens dos rios, mas a população avançou e com o tempo vieram os problemas e hoje tem de ser tomadas medidas de forma emergencial, devido ao impacto das ondas na balaustrada. Para Bastos, deveria ter sido feito um estudo amplo, que previsse o impacto das ondas. “As intervenções anteriores não foram feitas de forma adequada, por isso, hoje, optaram por fazer o estudo”.
Luis Carlos
Acadêmico, o geólogo Luiz Carlos Fontes disse precisar de uma solução que atente ao processo e às suas causas do problema para que não seja transferido para bairros como Grageru e São José e também não prejudicar a navegação do Rio Sergipe, pois antes havia um pontal de areia inteiriço que unia a foz do rio à praia, e hoje esse pontal está sedimentado devido ao acumulo de areia. Como resultado desse balcão de areia existe o sufocamento da área de manguezal presente à 13 de Julho que corre risco de sumir. “O ideal seria uma solução que não seja tão impactante e somente atenue a força das ondas”. Para ele é um “equívoco” que a prefeitura se dedique somente aos problemas da pista.
Reynaldo Nunes
Ambientalista, o representante do Partido Verde destacou que esse é um problema perceptível já há alguns anos, pois as ondas batem na balaustrada e molha a pista. Ele informou que as obras foram iniciadas na gestão de Edvaldo Nogueira e agora apenas dá-se continuidade. Como engenheiro civil, ressaltou a limitação da visão da engenharia que estuda, e propõe soluções tão somente para o problema sem notar que existe muito mais coisas em torno do problema, como a navegabilidade do rio e o impacto nas construções dos bairros adjacentes. “É necessária uma análise conjunta entre União, Estado e município para que o problema não seja resolvido pontualmente e criado outros posteriores. Os secretários devem baixar a bola e se achar que o estudo não está adequado, que contratem outro”, concluiu.

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