Quem não lembra (claro que isso é para quem tem idade para tanto) do filme “Cabaret”, com Lisa Minnelli, Michael York, Griem Helmut e outros? O filme recebeu 8 Oscars, outros 24 prêmios e outras 13 indicações. Um espetáculo maravilhoso, ambientado em 1930, quando o nazismo estava em ascensão, na Alemanha delirante.
Quem conhece Paris, por certo conhece também o seu mais antigo cabaret artístico, ou seja, o “Au Lapin Agile”, em Montmartre. A casinha cor de rosa ainda funciona, atraindo, com todo o seu charme, intelectuais, artistas e turistas. Uma beleza! Na minha terra, quem é da minha idade não há de esquecer o cabaré de Marina, no Pau Que Chora (o bairro, na boca do povo, ainda conserva o nome), inicialmente chamado “Fugaz”. Por certo, em alusão ao tipo de “amor” que ali se encontrava. Depois, passou a chamar-se “Inferno Colorido” (uma denominação caprichada!), para, à época da famosa novela da Rede Globo, chamar-se, enfim, “O Bem Amado”. Nada mais sugestivo. Foi-se o tempo do cabaré de Marina. Agora, há outros, mas sem os nomes interessantes de outrora e sem a mesma picardia. Por aqui, como é sabido, cabaré ficou sendo mera casa de “meninas”. Em Aracaju ficaram famosos muitos cabarés. Mas, hoje, só há um cabaré famoso. Fica no bairro Salgado Filho. Numa esquina. Zona residencial de classe média alta, com escolas por perto. Alguns poderão dizer: “Mas que desaforo!”. Logo numa zona residencial? E mais: com as portas escancaradas. O cabaré é frequentado por todo tipo de gente boa: homens e mulheres, casados e solteiros, gente do babado e nem tanto, jornalistas e estudantes, profissionais liberais e políticos, e, claro, boêmios modernos. Até parlamentares, secretários municipais e estaduais, além de outras autoridades, batem o ponto por lá. Sim, até estes! Quem diria! Ora, bolas: o cabaré é eclético. Boa comida (no bom sentido, claro) e boa bebida. E como se não bastasse tudo isso, bons papos, boas discussões. Enfim, diversão garantida. Quem vai, gosta e torna. Falei desse novo cabaré a um amigo metido em ladainhas de igreja e ele vociferou: “Vou ao bispo! Essa pouca vergonha tem que acabar!”. Calma aí, meu chapa! Ou como dizem os jovens: “Calma, véio!”. Deixe cada amante do cabaré se divertir. Afinal, o lazer é um direito agasalhado na Constituição Federal. O termo “agasalhado” aqui está sendo usado no melhor dos sentidos, obviamente. Não se deve confundir esse tipo com outros tipos de “agasalho” que há por aí. Eu, hein? Com relação ao meu amigo igrejeiro, imaginem se ele soubesse (vai saber agora, se ele ler este escritozinho fubeca) que já estão programadas as visitas do bispo e de um pastor evangélico ao famoso Cabaré. “Como é, cara? O bispo e um pastor no cabaré? É o fim dos tempos! É o apocalipse!”, ele vai vociferar. “Disconjuro, bicho rabudo de sete chifres!”. Ora, ora, ora... O Cabaré, como dito acima, é eclético, não tem religião, mas respeita todas elas. “Amém, aleluia!”, com o máximo respeito. Estou falando, na verdade, de uma agitação que vem ocorrendo, às quintas-feiras, a partir das 20 horas, no “Bar Templo Gelado” (onde a cerveja mais quente ganha para pinguim com frio), que tem como sócio o radialista Ferreira Filho, também conhecido por Nininho, nas rodas cabaretianas. O bar fica situado na Joventina Alves, 195. A agitação das quintas-feiras tem por nome “NósnoCabaré”. Uma sacada genial. Uma mocinha (mocinha, mas nem tanto) que frequentou o primeiro “NósnoCabaré” diz que não perderá nenhum. Deu-se bem, segundo ela me disse. Mas guardou segredo: não disse o que significa “ter se dado bem”, nem com quem se deu tão bem assim. Se é mesmo que se deu. Quem sabe, deu! Deu pra mentir, inventando que se deu bem. Mas, deixem pra lá. O que importa é que ela foi e continuará “fondo”, ou melhor, indo. Lembram do jogador de futebol que disse: “Fiz que fui, mas não fui, e acabei fondo”? Pois é. O Cabaré de quinta, ou melhor, das quintas (afinal, cabaré de quinta era coisa da Rua do Capuco, no Pé do Banco, do Beco de Odília, em Capela, do Acoita Manhoso, nos Enforcados, ou do Beco do Leva Pau, na Barra, nos tempos de antanho) tem boa divulgação. Hoje vários sites e jornais da província dediana, ou melhor, sergipana, tem divulgado a contento o “NósnoCabaré”. Mas o Cabaré das Quintas (é assim que vou chamá-lo, doravante), foi idealizado por Eliz Moura, Fereira Filho e Chico Freire. Aliás, Chico é um bom nome pra ser porteiro de cabaré, com todo o respeito, viu Chico? Isso me faz lembrar o irreverente Ismar Barreto. Que Deus o tenha! Sem delongas (odeio essa palavra, muito mais do que odeio alguns times do futebol brasileiro, mas tenho que usá-la), o “NósnoCabaré”, isto é, o “Cabaré das Quintas”, é um espaço que se pretende democrático e liberal (não adianta confundir as coisas, pois ninguém há de ir até lá, por exemplo, nu, pelado, com as mãos nos bolsos), em que os temas abordados deverão ser debatidos à exaustão, ente prós e contras, sem que isso desgaste o debate em si ou os debatedores. Todos são livres para expor e fazer-se ouvir, mas, também, devem ser suficientemente maduros para ouvir. O clímax é a argumentação, de lado a lado. E viva o debate! E viva o Cabaré! Isto é: Viva o “NósnoCabaré!”, ou, para ser fiel a mim mesmo: Viva o “Cabaré das Quintas!”.
José Lima Santana
(Advogado e escrivinhador) |
terça-feira, 30 de abril de 2013
TODOS AO CABARÉ!!!
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