sábado, 5 de novembro de 2011

PF APURA DESVIO DE VERBAS EM QUATRO ONGs DE SERGIPE NO VALOR DE R$ 11,2 MILHÕES

Reportagem da revista Veja desta semana põe mais um ministro na berlinda, o do Trabalho, Carlos Lupi, que determinou neste sábado o afastamento do assessor especial Anderson Alexandre dos Santos, coordenador-geral de Qualificação, e operado do esquema de “achaque a ONGs, que tinham contrato com a pasta. 

Segundo  Veja, Anderson Alexandre dos Santos era o responsável por recolher o dinheiro das entidades, após a extorsão. Por meio de nota, Lupi disse que não compactua com nenhum tipo de desvio de recursos públicos e mandou abrir sindicância para apurar as irregularidades.


Sergipe – Dessa vez Sergipe aparece na mais nova denuncia de corrupção que envolve Organizações não Governamentais (ONGs). A Polícia Federal em Sergipe abriu 20 inquéritos para apurar desvios de verbas em quatro ONGs contempladas com R$ 11,2 milhões em convênios com o Ministério do Trabalho. Vinte acusados já estão indiciados. Em outra frente de investigação, relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) também aponta fortes indícios de desvio de dinheiro em convênios em pelo menos 26 entidades em vários estados.

- As mesmas coisas que a gente observa na relação das ONGs com os ministérios do Turismo e do Esporte a gente está vendo no Ministério do Trabalho. Parece que eles, donos de ONGs fajutas, sentaram num auditório e tiveram uma aula de como fraudar a União - afirma o delegado Nilton Cezar Ribeiro Santos, que está à frente dos 20 inquéritos instaurados pela PF em Aracaju.

Segundo um servidor público que conhece de perto a área, as fraudes verificadas pela polícia em Sergipe se repetem no Distrito Federal, em Goiás e no Rio, entre outros estados. Em Brasília, a controladoria aponta indícios de irregularidades na Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), no Instituto de Pesquisa, Desenvolvimento de Educação (IPDE) e no Instituto de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação e Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renaspi).

Em Aracaju estão sob investigação, desde o ano passado, as ONGs Capacitar (Associação para a Organização e Administração de Eventos, Educação e Capacitação); a ANP (Agência Norte-Sul de Pesquisa e Desenvolvimento Social e Cultural) ; a ATNE (Agência de Tecnologia de Pesquisa e Ensino do Nordeste); e a Unicapes (União Multidisciplinar de Capacitação e Pesquisa ). Essas ONGs receberam mais de R$ 8 milhões dos R$ 11,7 milhões acertados com o ministério para qualificar operários e garçons, entre outros. As quatro ONGs seriam controladas pelo gaúcho Marcírio Martins Pereira.

- O roubo no Ministério do Trabalho é pior do que no Ministério do Esporte - disse ao jornal Globo o policial militar João Dias Ferreira, autor das denúncias que levaram à queda de Orlando Silva e que já foi preso por desvio de recursos do Esporte.

Instrumentos de extorsão – Segundo a revista Veja, os caciques do PDT, comandados pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, transformaram os órgãos de controle da pasta em instrumento de extorsão. Relatos de dirigentes das ONGs Instituto Êpa, do Rio Grande do Norte e Oxigênio, do Rio de Janeiro, revelam que as entidades contratadas pelo ministério para treinamento passavam a enfrentar problemas com a fiscalização da pasta e tinham os repasses de recursos bloqueados.

Para voltar a receber os recursos, as ONGs eram orientadas por assessores próximos a Lupi. Eles alertavam que o caso seria enviado à Controladoria Geral da União (CGU) para investigação, mas ofereciam uma alternativa: o pagamento de propina, em valores que variavam entre 5% e 15% do valor do contrato. Assim, para normalizar pendências, as ONGs tinham que recorrer às mesmas pessoas responsáveis por criar as pendências.

Na nota, divulgada pela assessoria, o ministro informa que o afastamento de Santos valerá pelo tempo que durar as investigações. Mas ressalta que será respeitado princípio da ampla defesa tanto dele como de outros servidores envolvidos nas denúncias.


Fonte-Faxaju

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